Em grupo da OAB em Cáceres advogado fala em cortar cabeças de bolsonaristas em praça pública

Em grupo da OAB em Cáceres advogado fala em cortar cabeças de bolsonaristas em praça pública

  • 10/01/2026 14:24
  • Redação/Assessoria

O advogado Lindomar da Silva Rezende chocou advogados de Cáceres após enviar, em um grupo de WhatsApp ligado à OAB no município, uma sequência de mensagens com xingamentos e defesa explícita de violência política. O episódio ocorreu na noite de quarta-feira, 7. A redação recebeu o print da conversa e, nele, o advogado reage a uma postagem que circulava no grupo com ironia, parte para ofensas diretas e termina com uma frase considerada de extrema gravidade.

Na mensagem, Lindomar escreve "Temos paninho para vender, caro Dr...", em tom de deboche, e logo depois dispara "Hipócrita do caralho". A escalada fica ainda mais pesada na sequência, quando ele afirma "Torço para que um dia possamos cortar cabeças de bolsonaristas em praça pública" e completa dizendo que gostaria de ser "voluntário" para isso, reforçando o conteúdo violento do texto.

O contexto da discussão, segundo o material encaminhado à reportagem, foi a repercussão de uma matéria sobre o senador Flávio Bolsonaro(PL), relacionada ao uso da cota parlamentar para custear passagens em viagem a São Paulo, onde ele participou de um encontro com empresários em ambiente de pré-campanha. A publicação aponta pedido de reembolso de R$ 13,6 mil ao Senado e relata que, após a divulgação, a assessoria do senador informou que houve "equívoco" e que o valor seria devolvido.

O caso ganha peso extra por envolver um grupo vinculado à advocacia e por Lindomar já ter ocupado cargo público, tendo atuado como coordenador do Procon em Cáceres, conforme registro institucional divulgado à época. Pelo Código de Ética e Disciplina, a advocacia é colocada como atividade comprometida com a defesa do Estado democrático de direito, da cidadania e da paz social, com dever de decoro e conduta compatível com a função social da profissão.

Juristas ouvidos pela redação explicam que divergência política e crítica a agentes públicos são legítimas, mas que a fala atribuída ao advogado ultrapassa o debate e encosta em apologia de violência e execução pública contra adversários por orientação política. Na avaliação deles, o teor pode, em tese, se aproximar do crime de incitação ao crime, previsto no Código Penal, porque defende a prática de um ato violento e ilegal direcionado a um grupo identificado por posição ideológica, ainda que o contexto de circulação e a extensão da publicidade possam influenciar eventual enquadramento e apuração.

Outro lado

A redação procurou Lindomar da Silva Rezende para comentar a mensagem atribuída a ele no grupo da OAB em Cáceres, em que afirmou torcer para "cortar cabeças de bolsonaristas em praça pública". Em resposta, ele disse que a mensagem foi publicada em "um grupo restrito a advogados" e afirmou que, "nesse caso, prefere não polemizar isso na imprensa".

Já a OAB Mato Grosso informou, por meio da assessoria, que a OAB Seccional Mato Grosso não recebeu denúncia, reclamação ou pedido formal de apuração relacionado ao caso.

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