Potência turística: Pantanal vira vitrine mundial e sustenta gerações em Mato Grosso

Potência turística: Pantanal vira vitrine mundial e sustenta gerações em Mato Grosso

  • 28/11/2025 11:07
  • Redação


Pantanal mato-grossense Marcos Vergueiro/Secom-MT Foram apenas dois dias de viagem, mas suficientes para que a jornalista grega Marisofi Giannouli, de 42 anos, se apaixonasse pelo Pantanal, uma região que, segundo ela, “parece existir fora do tempoâ€.

O bioma foi eleito pelo site norte-americano USA Today o quarto melhor destino do mundo para observação de vida selvagem, conforme divulgação da Confederação Nacional de Municípios (CNM).

O interesse crescente também aparece nos números oficiais.

Em 2024, o estado registrou um crescimento de 19,07% na entrada direta de visitantes internacionais, segundo dados da Agência Brasileira de Promoção Internacional do Turismo (Embratur).

Um exemplo disso é Marisofi.

Em entrevista ao g1, ela contou que viajou ao Brasil a negócios, mas que decidiu estender a viagem para conhecer mais o país.

Para ela, entre todas as belezas brasileiras, Mato Grosso foi o destino que mais surpreendeu pela biodiversidade e pelas paisagens de tirar o fôlego.

Visitei o Rio de Janeiro, Foz do Iguaçu, Belém e Manaus, mas Mato Grosso e o Pantanal se tornaram o ponto alto de toda a minha viagem.

Os rios, os espaços abertos e a vida selvagem pareciam intocados Jornalista grega Marisofi Giannouli, de 42 anos, em visita ao Pantanal em 2025 Reprodução Segundo Marisofi, as paisagens, os rios e a vida selvagem deram a impressão de um ambiente ainda pouco tocado pelo homem, como se estivesse em uma fronteira ainda não explorada, algo raro nos dias atuais.

A turista grega afirmou que a região se mostrou limpa, autêntica e com uma diversidade animal extraordinária, e que espera que o bioma preserve justamente a autenticidade que tornou a viagem tão inesquecível.

Proporcionalmente, pampa é o bioma mais devastado, enquanto o pantanal é o mais preservado Economia/G1 O Pantanal é uma das maiores extensões úmidas contínuas do planeta e é protegido internacionalmente pela Convenção de Ramsar, do qual o Brasil é signatário.

O bioma é o mais preservado do mundo, com mais de 80% de sua cobertura original, segundo o Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul).

Em setembro deste ano, o ator norte-americano Tyler Hoechlin, conhecido pelo papel do herói na série 'Superman & Lois', escolheu Pantanal mato-grossense, em Cáceres, para comemorar próprio aniversário.

Tyler se hospedou em uma pousada localizada às margens do rio Paraguai, com o pai e o irmão.

Ator norte-americano Tyler Hoechlin visita o Pantanal mato-grossense Reprodução Mas, para além da beleza natural, o bioma se consolidou como uma das principais fontes de renda para quem vive na região, sustentando tradições, impulsionando pequenos negócios e fortalecendo a preservação ambiental.

Nos municípios de Cáceres, Curvelândia, Poconé e Barão de Melgaço, região pantaneira de Mato Grosso, o setor de turismo reúne 12.348 empresas ativas, segundo levantamento feito pelo Sebrae.

Microempreendedores Individuais (MEIs) – 6.244 empresas de turismo Microempresas – 3.981 Médias e grandes empresas – 551 Dados enviados ao g1 pela gestora estadual de Turismo no Sebrae Mato Grosso, Fabíola Lima, mostram que, entre 2015 e 2025, a região registrou uma média anual de abertura de mais de 600 novas empresas.

Em junho deste ano, o Governo de Mato Grosso anúncio de um investimento de US$ 150 mil — cerca de R$ 823 mil na cotação atual — para a campanha “Safari for the Sensesâ€.

A iniciativa conjunto com Mato Grosso do Sul, Embratur e a organização global National Geographic busca posicionar o bioma como um dos principais destinos de turismo de vida selvagem do mundo.

Neste mês, o Pantanal ganhou uma vitrine internacional em Nova York por meio de uma exposição na Visit Brazil Gallery, uma iniciativa da Embratur em parceria com o Sebrae para fomentar a cadeia turística e potencializar os negócios da região.

A expansão do turismo não mudou apenas a economia local, transformou histórias, trajetórias e o cotidiano de famílias inteiras.

â€â€â€Tradição que atravessa gerações Família Costa atua no turismo pantaneiro há mais de 40 anos, mantendo viva a tradição entre gerações.

Arquivo pessoal Na região de Porto Jofre, em Poconé, a 104 km de Cuiabá, a família Costa mantém viva uma tradição que atravessa gerações.

São mais de quatro décadas dedicadas ao turismo no Pantanal.

A história começou com o bisavô de Ivan Freitas da Costa, de 54 anos, antes mesmo da construção da Transpantaneira, hoje uma das principais estradas de acesso ao bioma.

Atualmente, a pousada leva o nome de Jamil, que é pai de Ivan, de 76 anos, e conta com a participação de toda a família na administração e no atendimento aos visitantes.

Ao g1, Ivan contou que mais de 90% da renda da família vem da pousada, o que torna o turismo fundamental para a manutenção do negócio.

"O turismo pra nós, sem sombra de dúvidas, é de extrema importância.

É algo que mudou nossa vida.

Por isso, a gente cuida de tudo pra que o turista realize o sonho dele aqui", relatou Ivan.

A tradição empreendedora da família levou o filho mais velho, Luiz Felipe Amorim Costa, de 18 anos, a cursar administração para contribuir com a gestão no futuro.

Enquanto isso, Jamil Rodrigues da Costa, patriarca da família, segue ativo no trabalho, mesmo aos 76 anos.

Jamil relembrou também que a relação da família com o turismo começou após uma das maiores enchentes já registradas no Pantanal, em 1974.

Segundo ele, o evento pegou os pantaneiros de surpresa e marcou um ponto de virada na dinâmica da região, impactando fortemente a pecuária.

A partir dali, o movimento de pessoas interessadas em conhecer o bioma cresceu e as terras da família começaram a ser usadas também para receber visitantes, dando início à atividade turística que hoje sustenta várias gerações.

Mudança de vida Fotógrafo e guia de turismo Tchaco Pantaneiro Arquivo pessoal Conhecido pelo apelido de 'Tchaco Pantaneiro', o fotógrafo e guia de turismo iniciou a vida profissional como auxiliar de serviços gerais em uma pousada do Pantanal mato-grossense.

O contato diário com turistas estrangeiros despertou nele o interesse pela área.

Ao g1, Tchaco contou que a virada de chave aconteceu em 2006, quando conheceu um professor de inglês que se hospedava no mesmo hotel onde ele trabalhava.

Ele passou a fazer aulas e, ao adquirir domínio do idioma, se profissionalizou, fez o curso de guia e obteve a licença oficial pela Embratur.

“O turismo mudou a minha vida.

Tudo que eu tenho é do turismo.

Hoje ganho mais do que o dobro do que eu ganhava antes.

Convivo com pessoas de vários países, aprendo todo dia.

Nunca imaginei que poderia sustentar minha família mostrando o Pantanalâ€, disse.

O reconhecimento veio junto com a experiência e Tchaco se tornou um dos guias mais procurados da região e afirma que cerca de 80% dos clientes são estrangeiros, muitos deles, repetentes apaixonados.

“Tem grupos que já viajaram o mundo inteiro e voltaram ao Pantanal três, quatro vezes comigoâ€, contou.

Observação de animais Piloto flagra salto de onça-pintada antes ataque contra jacaré no Pantanal de MT Gabriel Felipe Se no imaginário africano o leão é o rei da savana, no Pantanal quem governa é a onça-pintada.

O maior felino das Américas pode chegar a 135 kg e ganhou um protagonismo que vai muito além da fauna: virou símbolo econômico.

O avistamento de onças impulsiona boa parte do ecoturismo local.

Barcos que percorrem rios e levam visitantes em busca do primeiro encontro, que, para muitos, é um dos momentos mais marcantes da vida.

As fotos e vídeos captadas de forma voluntária pelos turistas ajudam, inclusive, no monitoramento dos animais, reforçando o vínculo entre turismo e conservação.

Gigantes do Pantanal: biólogo registra momento em que onça ataca jacaré em rio de MT Turismo consciente Ao g1, o biólogo e guia de turismo, Marcos Ardevino, que trabalha no Pantanal há mais de 11 anos, explicou que o ecoturismo pode contribuir ativamente na preservação do meio ambiente.

Segundo ele, a atividade vai além da contemplação da natureza e envolve práticas sustentáveis que ajudam a proteger o bioma e a conscientizar os visitantes.

"É com o turismo que conseguimos sensibilizar as pessoas que preservar e conservar o nosso meio ambiente é de extrema importância e essencial para nossa sobrevivência como espécie.

Eu gostaria muito que mais pessoas pudessem conhecer todo esse ecossistema que é o Pantanal", disse.

Confira abaixo alguns pontos destacados pelo biólogo: Educação e conscientização ambiental As experiências oferecidas vão além do lazer: sensibilizam os visitantes sobre a importância do bioma, promovendo o respeito à natureza e incentivando a conservação.

Monitoramento da fauna e flora A presença de turistas e profissionais ajudam a identificar ameaças ao ambiente, como incêndios ou espécies invasoras, de forma mais rápida.

Redução de impactos de atividades predatórias Ao gerar renda, o turismo pode substituir práticas como queimadas, garimpo e desmatamento em determinadas comunidades.

Energia limpa nas pousadas Muitos empreendimentos da região têm adotado fontes alternativas de energia, como a solar, reduzindo o impacto ambiental da atividade turística.

Gestão adequada de resíduos As pousadas e operadoras locais buscam dar destino correto ao lixo produzido, contribuindo para a preservação da paisagem natural e dos cursos d’água.

Turismo guiado por especialistas Empresas de turismo têm se aliado a profissionais como biólogos, que acompanham as atividades para garantir informações precisas sobre fauna, flora e geologia, além de orientar práticas seguras e responsáveis.

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Além disso, ele atua como regulador natural de enchentes, porque absorve e armazena água durante períodos chuvosos.

O Pantanal também funciona como um reservatório de água doce com altitudes que alcançam 150 metros.

Seus recursos hidrológicos são importantes para o abastecimento das cidades, onde vivem aproximadamente 3 milhões de pessoas, no Brasil, Bolívia e Paraguai.

Nos anos 2000, a Unesco concedeu ao bioma o título de 'Reserva da Biosfera', além de tombá-lo como Patrimônio da Humanidade.

  • Fonte: G1 Mato Grosso
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