Governador de MT aciona STF contra decreto de Lula que homologou novas Terras IndÃgenas
- 21/11/2025 17:21
- Redação
Mauro Mendes aciona STF contra decreto de Lula que homologou e ampliou Terras IndÃgenas (MT)
Mayke Toscano/Secom
O governo estadual acionou nessa quarta-feira (19) o Supremo Tribunal Federal (STF) para suspender o decreto do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) que ampliou e homologou novas Terras IndÃgenas em Mato Grosso.
Há três dias, o governador Mauro Mendes (União) afirmou que entraria na Justiça contra a medida.
Lula homologou quatro Terras IndÃgenas, sendo três no estado e uma que fica entre o Pará e o Amazonas.
A ação trata o decreto do presidente como inconstitucional por violar a lei 14.701 de 2023 que estabaleceu o marco temporal dos territórios indÃgenas.
No texto, o presidente Lula ampliou a Terra IndÃgena Manoki, em Brasnorte, de 46 mil para 252 mil hectares, o que a Procuradoria-Geral do estado (PGE) entendeu como inconstitucional.
A ação foi anexada dentro do processo do marco temporal, que discute o assunto em audiências de conciliação no STF.
Contudo, o Congresso promulgou uma lei, em 2023, que instituiu o marco temporal antes da conclusão do caso pelo STF, que já havia julgado a tese como inconstitucional.
Veja os vÃdeos que estão em alta no g1 O marco temporal define que indÃgenas só podem reivindicar a demarcação de terras que eram ocupadas pelos povos originários no momento da promulgação da Constituição, em 5 de outubro de 1988.
A tese é uma interpretação do artigo 231 da Constituição, que diz: "São reconhecidos aos Ãndios sua organização social, costumes, lÃnguas, crenças e tradições, e os direitos originários sobre as terras que tradicionalmente ocupam, competindo à União demarcá-las, proteger e fazer respeitar todos os seus bens." Lideranças indÃgenas que representam esses territórios afirmaram ao g1 que essa conquista é resultado de anos de luta por reconhecimento de direitos diante de ameaças de morte, desmatamento ilegal e disputas territoriais.
As novas terras homologadas são: Terra IndÃgena Estação Parecis, em Diamantino; Terra IndÃgena Manoki, em Brasnorte; Terra IndÃgena Uirapuru, localizada nos municÃpios de Campos de Júlio, Nova Lacerda e Conquista D'Oeste.
De acordo com o governador, a ampliação desrespeita diretamente o artigo 13 da Lei 14.701, que proÃbe a expansão de terras indÃgenas já demarcadas.
Já as outras duas Terras IndÃgenas (Estação Parecis e Uirapuru), segundo o governador, estão localizadas em regiões produtivas do estado.
Outro ponto-chave da ação é a ausência de comprovação de ocupação indÃgena na nova área até 5 de outubro de 1988, que é o marco estabelecido para reconhecimento de terras tradicionais.
A PGE afirmou que há registros históricos e jurÃdicos que comprovam que a área “foi ocupada por famÃlias não indÃgenas desde a década de 1950, com plena ciência do poder públicoâ€.
Outro ponto de atenção apontado na ação foi o impacto social e fundiário gerado pela medida.
O governo afirma que a ampliação atinge diretamente centenas de produtores e famÃlias com tÃtulos legÃtimos, Cadastros Ambientais Rurais (CAR) ativos e, em alguns casos, decisões judiciais reconhecendo sua ocupação regular.
Atualmente, o estado tem 73 terras indÃgenas demarcadas, que somam 15 milhões de hectares, o equivalente a 16% de todo o território estadual.
Um relatório do Conselho Indigenista Missionário (Cimi) apontou que foram contabilizados 18 casos de conflitos e disputas territoriais envolvendo indÃgenas no estado, em 2024.
Já em relação à invasão, exploração ilegal de recursos naturais e danos ao patrimônio foram 32 casos no estado.
Além disso, o Cimi também destacou que houve ameaças de morte a duas lideranças indÃgenas locais.