Cirurgia robótica avança no tratamento do câncer de próstata e passa a integrar o SUS
- 21/11/2025 14:47
- Redação
O diagnóstico precoce do câncer de próstata é o primeiro passo para definir o tratamento mais adequado.
A partir do momento em que a doença é identificada, o paciente passa por um estadiamento, processo que avalia se o tumor está restrito à próstata ou se já se espalhou para outros órgãos.
Esse levantamento é essencial para direcionar a melhor conduta terapêutica, dentre elas a cirurgia que tem sido cada vez mais precisa e eficaz, graças aos avanços tecnológicos.
A definição da melhor estratégia é feita em conjunto com uma equipe multiprofissional formada por urologista, oncologista clÃnico e radioterapeuta.
Segundo o urologista, e integrante do corpo clÃnico da Oncomed, Fernando Leão Costa (CRM 10511/MT | RQE 4853), a indicação depende principalmente das condições clÃnicas do paciente.
“Se o paciente está bem, sem limitações cardÃacas ou outras doenças que impeçam a cirurgia, ela pode ser o tratamento de escolhaâ€, explica o médico.
Dr.
Fernando Leão Costa, urologista da Oncomed MT.
Assessoria Nos casos iniciais, a taxa de cura é superior a 90%.
Hoje existem duas principais vertentes cirúrgicas: a cirurgia robótica e a videolaparoscópica.
Essa última é também uma opção minimamente invasiva, mas com menor amplitude de movimentos e precisão.
A principal inovação é a cirurgia robótica, técnica já disponÃvel em Cuiabá há cerca de três anos.
Na prática, quem opera é o próprio médico, utilizando um console com visão em três dimensões e até 40 vezes ampliada.
O equipamento permite movimentos mais precisos e delicados do que a mão humana, preservando estruturas importantes responsáveis pela continência urinária e pela função sexual.
“A cirurgia robótica trouxe um salto enorme na segurança e na recuperação do paciente.
Os riscos de incontinência e impotência sexual são hoje muito menoresâ€, explica o cirurgião.
Tecnologia chega ao SUS Até recentemente, a cirurgia robótica não fazia parte da cobertura obrigatória dos planos de saúde e não estava disponÃvel no Sistema Único de Saúde (SUS).
Os interessados precisavam arcar com o custo da cirurgia de forma particular ou solicitar o procedimento juridicamente.
Essa realidade mudou a partir de uma portaria do Ministério da Saúde de 30 de setembro de 2025, quando o procedimento foi oficialmente incorporado ao rol de procedimentos do SUS.
A decisão foi baseada em recomendação da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) e é destinada a pacientes com câncer de próstata clinicamente localizado ou localmente avançado.
As áreas técnicas do SUS têm 180 dias para efetivar a oferta, definindo protocolos, centros de referência e treinamento de equipes.
“O SUS agora tem seis meses para precificar e começar a ofertar essa tecnologia.
E, conforme a resolução nº 555/2022, os convênios têm até 60 dias para incluir o procedimento em seus planos.
Esperamos que, até o fim de novembro, os planos privados estejam aptos a oferecer a cirurgia robótica.
Isso é uma grande vitóriaâ€, explica.
Campanhas de conscientização aumentam o diagnóstico precoce O câncer de próstata é um dos mais comuns entre os homens brasileiros.
Estimativas do Instituto Nacional do Câncer (Inca) apontam entre 70 e 75 mil novos casos por ano no paÃs no triênio 2023-2025.
Para o especialista, campanhas como a Novembro Azul têm papel fundamental na mudança de comportamento masculino.
“Percebemos que o homem tem procurado mais o médico e está mais aberto ao exame preventivo.
A resistência é bem menor do que há alguns anos.
Isso é resultado direto das campanhas de conscientizaçãoâ€, afirma o médico.
Com a chegada da cirurgia robótica ao SUS e a ampliação do acesso aos tratamentos modernos, a expectativa é que o Brasil avance ainda mais na cura e na qualidade de vida dos pacientes com câncer de próstata.
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