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19 de Maio, 2017 - 16:33
Hospital de Sorriso pode fechar as portas em menos de 1 mês

Atualmente, o Hospital Regional de Sorriso (HRS) se restringe a atender somente os casos de urgência e emergência em virtude da falta de repasses do Governo do Estado, que já soma de R$ 8,2 milhões. Apesar da situação, uma pessoa que fraturou a perna, por exemplo, ainda consegue atendimento. O problema é que a unidade médica pode fechar totalmente as portas em menos de 30 dias.

Em entrevista coletiva, a diretora do HRS, Lígia Leite, informou que ontem protocolou um documento que retrata a situação em resposta à solicitação do Ministério Público. “Temos notas fiscais em aberto por volta de R$8,2 milhões. Algumas empresas estão há seis meses sem receber, a exemplo da lavanderia. O laboratório está atendendo somente os pacientes internados, os externos foram cancelados”.

O hospital reduziu os atendimentos ao máximo, mas a diretoria teme o pior: a paralisação total do hospital devido à situação caótica. “Mas como fechar as portas se temos 75% de ocupação dos leitos? Está difícil”, questionou.

Sem alimentos

Com esse cenário, mesmo sem recursos, a diretora disse que precisou adotar cortes de gastos. Uma das medidas foi suspender a alimentação de alguns servidores que não fazem plantão de 12 horas. Isso porque das empresas que forneciam alimentos ao hospital, apenas um supermercado ainda faz a entrega, mas já notificou a diretoria de que não mais venderá os produtos por falta de pagamento. “Todos terão que se unir e teremos que cortar todos os tipos de gastos”, frisou.

Lígia explica que, mesmo sem dinheiro, não consegue reduzir os funcionários porque o quadro já está defasado e há anos a assistência ao usuário já está comprometida.

“Só no setor de enfermagem, por exemplo, perdemos 39 funcionários desde junho de 2015 e não houve reposição. No total, saíram 82 funcionários de junho até agora, também sem reposição. Não temos como reduzir os profissionais contratados”.

Por conta da superlotação e escassez de insumos, remédios, alimentos e outros itens, a unidade também pediu transferência de parte dos pacientes, mas não conseguiu. “Está muito difícil porque os outros hospitais do Estado estão na mesma situação e o Governo diz que não tem recursos financeiro suficientes para toda a demanda do Estado”.

Sem limpeza

Além do estoque de medicamentos quase no fim, os servidores do setor de limpeza também anunciaram hoje que paralisarão as atividades, o que compromete até o setor cirúrgico, que já enfrenta dificuldades.

“Em todas as reuniões, com a participação do governador, foram sugeridas inúmeras opções pelos prefeitos, mas eu desconheço plano “B”. A Secretaria de Saúde e o Governo tentam amenizar o impacto financeiro negativo, mas a saúde não tem tempo, precisamos de algo emergencial”.

Empresas médicas, a lavanderia, o laboratório, o centro de imagem, a empresa de lixo hospitalar e outros estão com os seus pagamentos em atraso. E, além disso, o telefone do HRS está cortado há mais de 20 dias.

Por conta desse cenário catastrófico, permanece sem previsão o momento em que o Consórcio Intermunicipal de Saúde do Teles Pires assumirá a gestão do hospital, que atende a quase 500 mil moradores de 15 municípios da região Médio Norte.

O presidente do consórcio, prefeito de Sorriso, Ari Lafin (PSDB), está em Cuiabá, onde cobrará um posicionamento ao Governo do Estado, logo mais, às 11h.

O vice-presidente do consórcio, prefeito de Itanhangá, Edu Pascoski (PR), esteve em Sorriso nesta manhã. Ele reconheceu a proporção do problema, mas amenizou a situação ao citar a crise financeira do Brasil.

“Estamos passando por crises políticas e financeiras. Isso o Brasil vem atravessando, mas nós não podemos achar culpados. Temos que ajudar. O consórcio não é o gestor do hospital. Precisamos que o governador trate isso com carinho porque a saúde está na UTI”.

Segundo ele, enquanto o governo não quitar os débitos do HRS e se comprometer em pagar o repasse mensal, o consórcio não assumirá a gestão do hospital. “Não vamos por a responsabilidade para as prefeituras e assumir a média e alta complexidade sem condições”, ressaltou.

O que diz o Governo?

A Secretaria de Estado de Saúde (SES) disse, por meio de nota, que o Hospital Regional de Sorriso recebeu R$ 9,7 milhões até o dia 8 de maio e o pagamento feito mediante bloqueio judicial no valor de R$ 3,1 milhões. "O mês de março não foi quitado até a presente data. E o repasse de abril está aguardando a entrega da planilha de despesas do hospital".


Fonte: Portal de Sorriso
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