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Bem Vindo ao Nortão Notícias, 30 de Abril de 2017
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4 de Janeiro, 2017 - 14:52
Erros de Ronda foram bem maiores do que querer lutar boxe contra Amanda

Você nunca fica melhor em alguma coisa deixando de fazê-la. A frase não é minha. Quem a proferiu foi Chael Sonnen, sempre preciso em analisar a performance alheia. E o falastrão tem toda a razão. Desde que parou de treinar como deveria, Ronda Rousey deixou de ser quem era. A campeã dominante, com sangue nos olhos, que tirava para nada suas adversárias, simplesmente deixou de existir quando o canto da sereia, no caso da $ereia, começou a fazer efeito. A derrota para Holly Holm já havia mostrado que as vidas de celebridade e de lutadora de elite não são muito fáceis de coexistir em uma mesma pessoa. E Ronda não foi pouco celebridade, não. Aparições em filmes ao lado de Sylvester Stallone, Arnold Schwarzenegger e outros, presença constante nos maiores talk shows dos EUA, contratos de publicidade com praticamente tudo - de empresas de telefonia a cosméticos - cobraram um preço que ela não conseguiu pagar.

No agora já distante UFC 193, na Austrália, a então engolidora de adversárias não conseguiu resistir ao ímpeto da pouco badalada Holly Holm. Com um boxe sofrível, pouco gás e pouco costume em sofrer golpes no rosto, Rousey desabou. Foi histórico, incrível e, principalmente, traumatizante. Ronda nocauteada e inconsciente no chão do octógono. Tudo aquilo mexeu demais com a cabeça da até então invencível rainha das chaves de braço. E ela decidiu mudar tudo.

Ronda entrou em um período de reclusão quase total. Não apareceu mais em praticamente nenhum talk show - a única exceção foi o da amiga Ellen DeGeneres, que poderia se candidatar a levantadora de qualquer seleção de vôlei do mundo, tamanha a quantidade de bolas alçadas para Ronda cortar durante a entrevista. Sem ser vista em praticamente nenhum lugar, Ronda sofreu com as críticas nas redes sociais, com os boatos de gravidez interrompida, de depressão e de mais uma infinidade de outras coisas.

A loura precisava voltar, e lhe foi dada a chance perfeita: estrelar o evento de fim de ano em 2016, com todas as garantias possíveis: salário milionário, liberdade de não falar com a imprensa - eleita por ela a grande vilã de sua vida após a derrota (antes era a sua maior aliada, mas isso a gente já sabe como funciona) - e toda a estrutura do UFC à sua disposição, como a casa onde é gravado o TUF e toda a fantástica academia.

Do outro lado, Amanda Nunes, a brasileira que detém o cinturão peso-galo, ficava na dela. Não era muito badalada, e ganhou algumas "folgas" dos compromissos de mídia - não foi escalada para o treino aberto, nem para a coletiva de imprensa prévia ao UFC 207. Resumindo: se Ronda não ia, Amanda estava fora também.

Mas Ronda errou ao, como analisou Sonnen com precisão, deixar de fazer algo e achar que, com isso, melhoraria. A loura abandonou os treinos de chão com os irmãos Rener e Ryron Gracie, e treinou quase que exclusivamente seu boxe com o controverso Edmond Tarverdyan, o técnico que não agrada nem mesmo à mãe de Ronda. Convencida por ele e pelo nocaute aplicado em Bethe Correia de que era uma trocadora de elite, Ronda mais uma vez errou, e desta vez pela arrogância. Acreditou que poderia fazer uma volta triunfal vencendo a nocauteadora Amanda Nunes na sua área. Em 48s de massacre, a estratégia se provou mais errada que a do general romano Marcus Licinius Crasso, que teve seu sobrenome batizando a trágica decisão de atacar sem estratégia alguma, baseado apenas na crença da vantagem numérica, os inimigos Partos, avançando rumo a um vale estreito e com pouca visibilidade. Os Partos ocuparam a entrada e a saída do vale, represando as tropas e matando quase todos a flechadas, inclusive Crasso.

Ronda acreditou que se isolar do mundo das celebridades e declarar guerra à imprensa, além de somente treinar boxe com um técnico cuja capacidade vem sendo questionada por muita gente boa - os números mostram que Ronda é a única lutadora treinada por Edmond Tarverdyan com retrospecto positivo, e que os demais somaram cinco vitórias e 13 derrotas apenas em 2016 - seria o suficiente. Não foi. A falta de treinos de sparring - Ronda definitivamente não sabe se manter na luta ao ser golpeada - se mostrou fatal para ela. Não é possível cravar se Ronda não faz sparring por orientação de Tarverdyan, ou se para não atrapalhar o belo rosto em campanhas publicitárias ou nos filmes. Mas o fato é que esses treinos fizeram muita falta.

Mas será que foi só isso? Acho que não.

Quem tem um pouco mais de 40 anos lembra de ter visto os primeiros UFCs. Royce Gracie apresentando ao mundo o jiu-jítsu voltado para a luta sem regras e capitalizando vitórias, recordes e imortalizando o seu nome no mundo do MMA. Por quanto tempo durou esse domínio? Aproximadamente três anos, entre 1993 e 1995. Foi o tempo necessário para que o mundo abrisse os olhos. Dali para diante, não só para Royce como para todos que usavam o jiu-jítsu, a coisa ficou mais difícil. Não se finalizava mais cegos no chão, todo mundo conseguia de uma forma ou de outra se defender. Houve uma evolução.

Entre as mulheres a coisa foi mais ou menos pelo mesmo caminho. Ronda Rousey apareceu como um furacão, vencendo adversárias de todo tipo usando não o jiu-jítsu, mas o judô adaptado brilhantemente para o MMA. O mesmo mistério que cercava Royce passou a cercar Ronda. Como vencê-la? Era necessária uma evolução, e Ronda não conseguiu ser a protagonista desse passo adiante - tornou-se vítima. As demais lutadoras aprenderam que a campeã não gostava de levar soco na cara. O que elas fizeram? Inauguraram o parquinho do soco na cara. Holly Holm abriu a porteira, e Amanda Nunes escancarou. O conjunto de erros, aliado à quebra da aura de invencibilidade que rodeava Ronda Rousey, levou a maior estrela do MMA feminino mundial a levar um duríssimo segundo choque de realidade, do qual ela provavelmente não se recuperará. O domínio de Ronda no UFC também durou, coincidentemente, três anos, de 2013 a 2015.

A carreira de Ronda Rousey se resume a essas duas derrotas? Evidentemente que não. Ela é o maior nome da história do MMA feminino, a que levou as lutadoras para o mainstream e abriu portas para que muitas campeãs surgissem. Com sua beleza, carisma, dedicação e talento, Ronda arrombou a porta do UFC, colocando para dentro uma legião de mulheres, que hoje, sem favor algum, protagonizam algumas das melhores lutas e dos grandes eventos realizados. Ela foi a maior campeã, a dona de todos os recordes, assombrou o mundo na vitória e na derrota. Ronda nasceu para ser protagonista e merece todas as homenagens e todo o reconhecimento pelo que conquistou. Ainda que a sua grandeza não tenha feito bem para a sua cabeça, Ronda sempre será sinônimo de sucesso.


Fonte: Combate.com
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